segunda-feira, maio 09, 2011

A Visitinha


Ela tinha acabado de parir um lindo serzinho e era sem dúvida a mulher, agora mãe, mais feliz do universo. Teria alta na segunda-feira pela manhã, o que lhe fez ter um domingo com agenda lotada, cheia de visitas, umas queridas e outras com direito a vassoura atrás da porta. Nessas ocasiões, vale até se tornar a amiga mais íntima da enfermeira chefe, vai que você precisa arranjar uma vassoura em caso de emergência! E assim foi chegando toda a parentada, os avós para espiar a primeira netinha que há tempos sonhavam em ter, a mais autêntica ao título de titia, irmã da grávida, que praticamente se intitulou a segunda mãe, acreditando ter mais direitos do que o pai sobre a pequena, este que por sua vez, meio sem jeito, fazia às vezes do anfitrião de primeira viagem no minúsculo quarto do hospital. Você que é mãe, pense muito bem antes de marcar o dia de seu parto, negocie com seu médico e troque uma idéia com o seu bebê, explico-te! Se a data marcada cair num final de semana, pode ser que seu repouso no hospital vire um acontecimento, uma vez que as pessoas estão mais ociosas nesses dias. Já você que faz o papel de visita, só a faça no hospital se for muito, mas muito próximo do casal, principalmente da mãe. Uma das visitas foi classificada categoricamente como inconivente, a começar pelo toque da campainha anunciando a chegada dela. De quem? Da estagiária. Que estagiária? A estagiária do pai, que sabe-se lá resolveu fazer uma visitinha pos parto. Que presença mais avulsa! Foi chegando e tomando conta do pedaço, pegou o bebê e começou a ninar, dizendo meia dúzia daquelas palavras meigas, essas que são ditas perante a um recém nascido, que servem mais para deixar os pais inchados e orgulhos pela cria. Prepotente e ousada, assim classificou mentalmente a tia já em fúria, que logo se prontificou a esculhambar a visitinha dali. Tia e mãe trocaram alguns olhares e a hora era de amamentar: “Por gentileza, com toda licença, aguardem na sala ao lado”. Como se não bastasse, a estagiária toda participativa sem precisar ser, solta uma: “São apenas quinze minutos em cada peito, assim como a enfermeira disse ok?” Sem se estressar, a mãe solta a sua com todo o direito e aval: “Tudo bem estagiária, senta lá fora e espera tá!”

2 comentários:

Maíra disse...

Realmente existem pessoas incovenientes em momentos particulares.O jeito é colocar a vassoura na porta hahaha

simone pitchon disse...

Que garota chata essa viu..rsrsrs
Beijos, Pitchon!