domingo, setembro 13, 2009

foto: reprodução

Amor sem cor!

Se tivesse vivido séculos passados, com certeza ela seria filha de um barão, desses bem ricos, donos de muitos escravos. Seria também totalmente contra a escravidão e a melhor amiga de Princesa Isabel. Testemunharia a amiga oferecendo-a uma caneta de pena para assinar a Lei Áurea, libertando todos os negros de tamanha crueldade. Pouco importaria com sua nobreza familiar, abriria mão de um casamento armado, imposto por sua família e sem amor, para viver uma grande paixão ao lado de seu príncipe africano. Essa paixão fervorosa com gostinho proibido, descumprindo todas as ordens do pai e da sociedade da época, teria mais forças e resistiria a qualquer obstáculo imposto. Com a efervescência do amor, da liberdade e da igualdade, já no século XXI, ele estava bem ali, não numa senzala, mas na academia, ao lado de uma dama branca. Seus atributos, sua beleza física e aquele seu gingando solto no andar, assim como os de seus ancestrais, a deixava calorosa a espera de seus beijos e carinhos durante a execução dos exercícios. Muitos ali se indagavam, tentando imaginar qual seria o sabor daquele beijo vindo daqueles lábios. Ela sem pudor algum, respondia a todas as perguntas feitas por pensamentos alheios e para os quatro cantos do mundo, que aquele era o melhor beijo que já havia recebido. Formavam um belo casal, afinal de contas, cada um tinha a sua beleza e o mais importante, irradiavam o amor. Ela branca e ele negro. Enganava-se quem enxergava aquele relacionamento inter-racial como uma relação baseada por algum tipo de interesse. Pensar que aquela união só existiria por um possível prestígio social ou dinheiro era sem cogitação. Pensamento mais que ultrapassado! O amor não escolhe cor. Aquele definitivamente era o relacionamento mais puro já visto. Comprovado através dos olhares cúmplices de um para o outro. Da academia eles saiam sempre de mãos dadas, olhares medíocres e preconceituosos tentavam os censurar, comentários maldosos eram sussurrados, mas o melhor era vê-los todos os dias, juntos, se entregando ao amor e no final trocando aquele beijo.

4 comentários:

Bié Barbosa disse...

Oi, André,

Tudo bem? Presumo que seus textos atuais têm agradado aos leitores GP, em geral. Haja vista os bons comentários que tenho ouvido sobre eles, dentro da própria equipe.
Todos estão adorando! Parabéns!

Abraço,

Bié

Ivan disse...

e vice versa, aposto que você tem amiga nesta situção! at+

Ivan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leandro Andrade disse...

excelente texto. Mexe de modo descontraído com a história e ao mesmo tempo é bastante contemporâneo. Detalhe para a foto. Muito bem escolhida!
Abraços

Leandro Andrade